domingo, 27 de dezembro de 2009

Regalia do sexo

Intimismo ou regalia do sexo? Acho que muitas coisas se perdem ao longo da vida. Perde-se a boca nunca tocada, perde-se a escrupência sexual, perde-se o desejo... Perdem-se também os dentes, as volúpias, os medos. Então se acrescentam os surtos, os meios, as condições, as experiências e se perde. Ao longo da vida tentar se definir ou limitar é inútil, tentar deixar de lado é bobagem, cresce-se com as tentativas e as oportunidades... Um meio homem é inteiramente generoso com o mundo, embora um homem inteiro seja completamente oposto à humildade. Tiram lucros àqueles que riem de suas próprias quedas, salientam-se aqueles que buscam os meios, as virtudes e perdas e completam-se aqueles que empreendedoramente constroem uma vida a dois; dá pra ser muita coisa durante a vida, dá pra ser qualquer e ser também igual, dá pra ser perdedor e vencedor, depende do modo como à gente encara as coisas ou do modo que nos vêem. Enxergar as nossas próprias verdades é um meio de ir em frente, arriscar-se doando ao máximo do que se pode dar, temer de osso a osso porque simplesmente é ser humano, aprontar sem perguntar a quem, deixar sem saber porque...


Na vida existem muitos pontos contínuos e até que a mesma venha a falir – pois a vida é um negócio mal construído – não dá pra reter e repelir um ponto final e querer estar, querer ser o que se pensa ser a vida toda, por mais que os buracos estejam todos embaixo ou até mesmo que não haja nenhum, há sempre um meio de abrir novas dores e caminhos para a queda, a sempre como os lucros sumirem e recriar-se é sempre um pedacinho de cada coisa, de um outro, de coisas que ao longo da vida deixamos que nos evadam, mesmo que sem perceber... Digo que a vida é sempre uma caixa de presentes que ao longo dos anos vem um em cada data comemorativa, digo que a vida também pode ser oposta a isso, digo logo que a vida é uma confusão, um medo de perder o outro e por vez de se ganhar e infelizmente acabar sem ter a quem oportunamente dar mais... Não dá pra simplesmente ser, mas creio que dá pra ser sempre um pouco mais, ou até mesmo posso dizer que não dá.

domingo, 20 de dezembro de 2009

“Política do mundo feliz.”

“Estão customizando tanto o amor que nem vale a pena acreditar no mesmo.”


Vulgaridade enorme nessas palavras.
Amor meia-boca esses que ficam na suspeita, na estreita, na calada. (Silencia)

Dia desses num telefonema de hábito com meu amor dormente – Porque é assim que eu considero início de relacionamento, morno, dormente, franzino, que acaba logo... Nem julgo amor, nem necessidade... Não digo e muito menos espero que funcione – caí em brasa ao ouvir um “eu te amo”. Deu-me uma raiva passiva ali, raiva porque é incrível como as pessoas se deixam levar pelo costumeiro dito: Eu te amo. Acho graça. Amor virou balela, frase feita e pronta pra quem te fez dar um sorriso ou dois. Coisa mais tosca. Amor não se encontra na esquina, nem em dois segundos. Parece que tudo virou filme, tudo é lindo. Não vou seguir a risca esses meros sentimentais. Decadência. Acho que é “tanto amor” que virou rotina. As pessoas precisam dizer pra ouvir, porque é de praxe mesmo.

Muitas vezes eu quis dizer que amo, sem amar. Refreei-me por pensar que amor é coisa magnânima, que melhor alguém se doer de osso a osso do que se deixar levar por insinceridade. Melhor pensar três ou quatro, até mesmo milhares de vezes antes do que dizer só por dizer aquilo que alguém disse que quer ouvir. Não vamos banalizar o que é efêmero. Não vamos destruir o que desconhecemos, ainda. Vamos deixar que o tempo nos transmita, deixar que a incerteza nos tome e se torne certeza, tornar as coisas cabíveis, aceitáveis antes de torná-las imundas. Amar é correr risco e silenciar faz parte... Mas, por favor, diga que me ama agora?
...

Acho que você não aprendeu.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Rabiscos.

Seria tua a minha primeira lamentação, a minha pressa, essa urgência que reparo e faço... Caneta e lápis na mão, papel, borracha. Se a vida pudesse ter esse brio de apagar as lembranças queria eu consolidar o amanhã, pegar as nuvens uma a uma e dar por começo a você. Tiraria o brilho das estrelas e em sussurros sopraria cada um a teu ouvido, te diria coisas e mais coisas que te mexeriam, calaria toda a minha voz e te cobraria um silêncio que viria distante, sofreríamos juntos a toda partida, por nós. E então remoeríamos os discos, os dias, as vinhetas, as cantadas, os outros. Separaríamos cada parte da novela, rabiscaríamos em negrito cada dorzinha, choraríamos uma dor nova, eu guardaria um dia e você ficaria sorrindo por saber que amanhã a gente inventa algo e volta, separaríamos um cordeiro e mandaríamos a sacrifício só pra ter certeza que a religião está ao nosso lado, mas eu lembraria que seria dia e esse dia não viria porque não é nosso, lembraria que dia sete de dezembro é um dia amargo que o que mal começamos já havia terminado, recordaria dez dias de abandono e felicidade... BORRACHA! Ai recomeça, repintamos esse sete, os dez dias, as lembranças, faríamos tudo diferente, ao menos aqui é uma certeza de que é o único lugar que eu sei que posso te guardar pra sempre. Não numa parede não pintada, não num dia sete que passou, não numa recordação barata, mas num livro da internet onde qualquer coisa que eu pense em fazer na hora marcada dá errado, te cobro um dia, mais outro, te cobro uma pressa, a mesma urgência... E não entendo nada, rabisco uma ou duas, apago. Só pra ter certeza de que não esqueço de lembrar... E ai me vem distante, a lembrança de que eu sei que esse amor que eu sinto não pode se apagar.


(A um amor passageiro...)

domingo, 13 de dezembro de 2009

"Corrimãos..."

Sabe de uma coisa, vou dizer que a minha verdade é feminina. Que o meu espírito se torna e entorna toda vez que alguém vai embora, que eu sofro calada, que eu grito e choro mais uma, duas, três e quantas forem precisas... Que eu sou pequena perante a grandeza do mundo, que eu sou selvagem quanto as minhas verdades, que eu corro sem direção nem tempo algum, que eu vivo e morro a todo instante. Vou dizer também que tenho um pouco dessa masculinidade transviada, que calo os anseios e vou embora, que deito e penso sem pensar em nada, que vou aos bares e bebo como um homem vivo e chego a casa e choro como uma criança sozinha... Vou dizer também que não sei nada, que sou de silêncios, que a intensidade não é minha, que a vida não é minha, que sou outro, outro que não sente, que não sentiu, que não sentirá, que nem se quer viveu...


E então serei tudo e todos até que eu possa dizer que me encontrei em mim, ou quem sabe não serei nada, só sentirei algumas vezes mais como homem ou mulher, sofrendo por tentar mais uma vez.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Escape.

“E quanto mais te tenho preso em minhas mãos, maior os espaços entre os dedos pro teu escape.”

Diria talvez que os refreamentos que tenho feito durante este tempo de solidão não me serve de nada quando um sentimento novo surge. Eu preciso de amor, preciso estar constantemente me doendo e sofrendo, me redescobrindo na relação a dois, refazendo os passos da felicidade e sentindo a faca do abandono atravessar meu corpo. Fazer meu punho se contorcer e remoer todo o passado, concluir e jogar fora em uma parte onde doerá quando eu vir, sangrará quando eu sentir, chorará quando eu não suportar.

Então abrirei o meu corpo novamente, sairei despido hoje. Inteiramente nu para que vejam e adentrem a minha covardia, os meus anseios e a minha sede, sede essa que escapa a todo instante... E solverei, dissiparei, cairei. Erguerei-me também, para que enfim possa mostrar que fui grande, soube sim cair, assim como tive a glória de levantar e criar a dor, sofrer a dor e morrer de amor, mesmo que uma vez mais... Mesmo que esse amor seja sozinho.



(Créditos pelo título à Andréa Laryssa Almeida Reis)




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

... Lá vem o amor nos dilacerar de novo.

“Esquerda, Direita, Esquerda, Direita. 1 2... Lá vai e vai longe.”


Abre esse teu coração, abre, mas abre com força e sem medo.
Abre agora que essa sede que nos mede e nos entra corpo a fora é só instante, como a nossa inconstância deseja, eu te desejo... E não, não diga que não, porque a necessidade que vem de ti é maior que a minha e do que as nossas juntas. Diz-me como sempre diz, soa como sempre soa, fala que esse teu amor vale por nós dois, que a minha vontade pode passar e você ficará como um quadro onde eu olho a beleza e passo, longe, volto quando precisar e vou embora, dias e dias sem você... E se me perguntar, nem hei de sentir falta. Meu coração é gelado como pedra... Oras! E tu bem sabes, sou por inteiro e você mulher de meios, eu homem de termos, você de palavras e eu de silêncios.

Algumas vezes eu te cortei tão a fundo, lá dentro, onde o meu coração mudo ficava por uma simples esperança de nada, pra quê? De quê? Explica! Agora sou eu ou você que não fala? Foi embora, saiu porta a fora, perdeu o instante, doeu, passou, voltou, ficou e eu te deixei... Simples não? Mas, sabe, eu ainda te amo, mesmo com a dor que mata e me tira o fôlego aos poucos, eu ainda te sinto, eu ainda te vejo em mim... Como um só...

“Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva...(Caio F. Abreu)”

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mulher-Maravilha.

Ela é a mulher-maravilha, trabalha, cuida da criança, arranja o jantar e ainda diz: “Como eu senti saudades o dia todo...” Eu não sei porque cacete eu deixei de gostar dessa mulher, dos chocolatinhos, os vinhozinhos, o fofinho e tudo mais... Vai ver é porque a gente gosta do que é complicado né? Vai ver também é porque eu deixo tudo ir escapando por não estar preparado pra essa emoção que há muito é abundante e relativa.

“Não meu amor, fecha bem devagarzinho a portinha do escuro. Ela não nos pertence mais.”

Sabe, eu sei que esses dias turvos que nos acalantavam me silenciou, não por destreza ou por infidelidade confidencial, mas porque todo mundo deixa, se despede e vai embora, mesmo que não seja inteiro, mesmo que ainda sim, não se pertença. Eu me pertenço agora, na verdade sempre me pertenci, porque eu conheço a dor como ela é, conheço cada pedacinho que faz com que eu me sinta vivo e até aqueles pedaços que me fazem cair morto, sem redes que me prendam. Você foi uma rede por muito tempo, não me deixou cair e também pudera, era uma rede forte e segura, até que eu lhe destroçasse ao meio, dizem por ai que quem ama segura e agüenta, mas quem é capaz de suportar tudo por amor? Eu não.

Eu dou as costas mesmo, vou embora de mansinho e nem digo tchau, porque se eu disser me sinto quebrado ao meio. E eu vou, mas vou inteiro. Talvez eu tenha aprendido a ter menos amor, só pra não deixar que esse amor, deixasse de ser amor.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Solar.

Sou o vai e vem do sol, não me recolho, não durmo por inteiro.
Um olho se fecha e outro se abre, assim sempre...

Não consigo confiar nem mesmo em mim, se minhas mãos me tocarem lá dentro eu saio todo queimado reclamando do que senti, dói ter sentimentos trancafiados e tão protegidos. O muro é tão alto que nem força maior poderia estar dentro. Tenho uma visão avantajada do mundo, vejo tudo. Mas, sou leigo das coisas humanas, leigo desses sentimentos que não me propiciaram por medo, ou por uma culpa que não me deixa chegar lá... É tão longe, bem longe... Mas, eu vou irradiando a vida de muitos, sem chegar perto, vou abrindo um sorriso tão grande com o olhar sincero e sempre atento aos que amo. Amo todos, como meus.

Uma vez ou outra, uma mulher branca vem a mim, me tampa todo, me cobre, me esfria... E eu fico assim, perdido e quando ela se vai eu já nem sei como continuar o mesmo. To pra explodir.

BOOM!

sábado, 28 de novembro de 2009

A Cicatriz.

Meu coração ta miudinho como uma uva, calado com uma serpente pronta pra soltar o veneno ao te morder. Eu quis você por tanto tempo tão longe, te desejei tantas desgraças acolhidas, tantos pedacinhos do meu veneno te empurrava, mas a vida ia seguindo, mesmo distante, ia porque ninguém escolhe hora pra parar ou cavalgar no mato seco, tem hora que o cavalo entra numa areia e só empurrando pra tirar...


Nosso amor era assim, um cavalo que quando caia sai com dificuldade, foi quebrando as pernas uma por uma, ficando sem vestígios guardados dentro de mim e sem a vontade de te ter de volta... Nem ódio, nem amor restaram, mesmo com essa linha fina que pairava sempre, tinha dias que eu nem sabia discernir se era amor ou ódio o que eu sentia e se sentia alguma coisa... Como esse amor que eu tinha se tornou tão intragável. As pontas do meu cigarro nem são acesas, joguei tudo fora e puxei a descarga, sem saber se era pra lá ou pra cá que você ia, também pudera eu querer te salvar e eu sou muito fraco pra entrar nessas coisas de sentimentos. Tenho um medo danado daquilo que vai ferindo tão devagar, mas tão devagar que passa a não doer. Era assim, não era? Como todo relacionamento, um idiota mais apaixonado, um sofredor mais preciso e um culpado que sempre se arrepende de tudo. Tanto tempo passa e ninguém esquece o que passou quando se tem amor dentro do peito, mesmo que se tenha mandado ir embora, mesmo que se diga que nem saudade anda sentido, fere sabe? De osso a osso, como se te quebrasse em meio a meio quando você pedisse... Porque é assim mesmo, a gente pede cada dor que tem. Somos nós os responsáveis do inicio, meio e fim da vida.

E eu não quero ser o responsável por deixar partir, não quero chorar a dor de outro alguém que a minha própria verdade desconhece, não quero suar com meu corpo frio e nem abusar da sua boa vontade, não quero te tragar novamente, mesmo que a minha necessidade por hora seja tamanha. E vou largando, vou partindo, vou deixando, olhando pra trás, porque eu tenho uma fortificação pra sair das coisas, embora quebrado, embora torto, mas pra tudo há uma despedida honesta, mesmo que sejam aquelas em que só as lágrimas falam... É preciso deixar morrer-se tudo. Até mesmo aquilo que jurávamos ser imortal.

Largar, partir, deixar? Pra quê? Eu ando tão de mão em mão pra sarar essa dor que causaram em mim e mesmo assim, não passa. Ás vezes eu tento não ser eu, porque se eu não for eu, os outros não sentirão essa dor. Mas, essa dor é tão grande que até mesmo todos os outros conseguem senti-la, e não te preocupa, essa dor é só minha. E meu grito é o mais alto de todos, mesmo em silêncio. E vai passando como quem não quer nada, porque é preciso deixar curar aquilo que a gente pede pra sentir, mesmo que a vontade seja apenas de não deixar ir embora...

Mas, não é com essa cara que estarei no final do dia, eu estarei integro novamente, com a mesma frieza que me impede de ter, com a mesma dor que me silencia a cada instante, mas vou, vou sendo, vou me tornando, vou vivendo, porque é árduo, mas desistir não é um prato que se coma quente e nem frio, desistir é uma conseqüência que vem obrigatoriamente com a morte. Estou vivo! Bem vivo. Só não me procure outro dia, porque algumas dores voltam como uma coisa que nunca sumiu... E você é boa em recomeço, já eu, dou despedidas retóricas na segunda vez. Desconfio da minha alma, imagine de quem perdeu o bem mais precioso que pude lhe dar um dia, minha confiança... Amor acaba assim, quando o ciúme é demais e a confiança não existe, ninguém suporta não ter e não dar...

Não sou.

Eu sou esse vento de verão que espera o inverno pra ficar frio.
Eu sou a intensidade da chuva que derruba as casas.
Eu sou esse tumulto de pessoas que aplaudem enquanto algo emociona.
Eu sou esse transeunte que deságua no oceano por já não ter aonde ir.
Eu sou esse silêncio que fica quando se está sozinho.
Eu sou esse escuro que te faz chorar.
Eu sou esse beijo mudo que você deseja do fundo da alma poder ouvir.
Eu sou essa lágrima já enxota do teu rosto.
Eu sou o teu suspiro de dor mais profundo.
Eu sou a tua desgraça caída a fundo.
E bem lá onde dói mais, eu sou a tua alma em chamas.
E sou, vou sendo, vou deixando ser, logo já não sou.





“  ____  ___   ”

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"Amo tanto, tanto, tanto, que te deixo em paz."

“Hoje eu acordei numa casa diferente, num corpo diferente, numa espera diferente... Acordei assim nesse vai-e-vem da vida, sabe? Acordei jogando a vida pro alto, descendo do salto e me sentindo feliz. Acordei com essa feminilidade gritante, com esse sonho voraz de querer sempre mais, de querer mais um amor, de não acreditar na dor e esperar por um mundo feliz. Acordei achando que o dia estava lindo, mesmo com a chuva que vinha fraca me tirando a vontade de ver o sol brilhar, acordei sem nada no estômago, sem um alguém pra amar, sem ter pra onde ir, mas acordei inteira, forte e leve... E eu acho que tem de ser assim, que cada dia é uma vida, cada vida é um dia e há esperança pra que o mundo mude, pra que os homens mudem – e as mulheres também -, pra que o amor não se banalize, pra que a verdade exista, pra que os fatos estejam na nossa frente, e eu não entendo, mas tento sentir, tem coisa mais simples do que se doar por inteira ao que não desvendamos? A verdade que existe é essa, é esse jogo de cintura em amar a vida com as quedas, é erguer o braço e motivar alguém, é ser inteira com a cruz nas costas, é andar de pé sem ter as pernas... E eu não desisto, mas eu sofro sendo assim, eu sofro porque sou assim, quando você acha metade do mundo babaca, você acaba passando muito tempo sozinho.”

E quanto mais motivo à vida me dava para não sentir?...
Sim, o amor cresce, irresponsável, sem alimento, sem esperanças e de uma burrice enorme, ainda sim forte e em crescimento.

 
(Algumas frases de Tati Bernardi)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Transeunte.

Esta tua silhueta encantada,
Esse teu brio de que jovem és.
E és, ou não? Jovem donzela.
Te olho entre os seios desnudos que por meus olhos
Passam, assim, despercebidos como a ambigüidade
Que vem de teus olhos.

Essa embriaguez adormecida do teu “príncipe”,
Que por jus não é encantado.
Esse mesmo que te deixa sem hora pra ir ou voltar.
Esse que te olha como donzela, na dúvida que ainda
Permanece de praxe como vós o requereis.
Deixa, ou deixarás?

E a ti donzela que com os seios desnudos
Vislumbro tua alma impetuosa, que cega os homens,
Que se alimentam do teu ventre, do teu tão amargo,
Amor... E quem vos sois? Apenas donzela em alma de peixe.
Peixe morto. Aproveite essa que tua hora é.

Ah! Gorjeias dos teus cantos.
Gorjeia donzela, teu tempo é curto e minha sede é pouca.
Deixo-vos, a deixo, tateio, tateias, tateamos, tu ou ela?
E vazio este que te cega, entre teu peito mudo.
E assim, por fim, como quem não diz nada,
Mudo fica.

 
(Um dos poemas mais difíceis de interpretação que fiz e talvez o único nessa linha, mantenha-se atento.)

Intríseco.

Eu não sabia se vivia, se era, não sabia como reformular o caco do ovo, não sabia como dar forma, como recriar, como manter e eu queria... Ou não queria? Saberia eu dizer quando um coração inocente sofre qualquer dor? Saberia eu sonhar as suas realidades por uma vez mais? Saberia eu sofrer uma última vez pela sua descoberta? Saberia eu sofrer pelo meu adeus? Mas, tudo bem. Não precisamos falar das desilusões que a vida desencadeia dia-a-dia, nem precisamos repetir o que já foi dito, o que todos já sabem... Amor fere, eu sei... Mas, é espetacular quando se sente, é adentrando as portas do céu e inferno a qualquer hora, é tocando a alma feito um surdo-mudo... E se desejas descobrir o que é real ou não, escolha viver, escolha ser a metade de algo... Não somos inteiros nessa vida. Somos toda uma metade incompleta até que acabe. A morte é a forma completa de se dizer que estou, que sou, que fui... E que não serei mais. Entendem estas alusões que me ocorrem, essas palavras intrínsecas que me desgastam? E eu precisava re-morrer, re-viver, re-criar... E da forma que não me deixam sentir, que não me deixam ser, que não me deixam fazer; não sei se chego lá. Se quero estar lá, se compreendo a dimensão de onde vou; para onde vou, para onde chegarei e se voltarei um dia...


Mas, no fim das contas se ama? E se ama com desespero, se ama com fogo, se ama em desgraça, se ama... Ama a si mesmo e ao outro, desvencilha-se das crenças e criam-se novas e quando acaba não sabe como é re-viver ou voltar a ser o que era, não sabe o que a liberdade implica, se a liberdade está, se quer essa liberdade de volta... Só se sabe que vive, que vive pela metade, que vive em vala, que vive num breu e caos... Até que se compreenda que se perdeu o que não se soltou, e a compreensão se torna impossível, só deixa ir.

Eu quero muito ser feliz. Mesmo que eu não saiba o que é felicidade.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Pra mim é tudo ou nunca mais..."

Não me culpe pelo exagero em vida. Eu sou esse exagero, não sei ser de meio termo, de meias coisas, de meias palavras – mesmo que o mínimo soe sempre como resposta – e depois não é que a vida seja tão graciosa quanto parece, é que ela me é atraente e não me responsabilizo pelos impulsos, pelos instintos, pela força que nunca me deixa dizer adeus ou desistir. Vou com força, vou sem medo, mas não sei lidar com o mais ou menos que a vida compõe, que as pessoas trazem, que a vida joga a minha porta como se eu recolhesse esse osso por hora. Não quero meios amores, meios sabores, meias resposta, se for pra ser que seja inteiro, que seja de exageros, que seja assim, EXAGERADO, que seja vivo...


E eu vivo, vivo como um louco, com a facilidade que a vida impõe em deixar ficar e ir. E é preciso, que se morra de instintos pra se ter vivido mais ou menos que alguém... Não é essa quantidade de tempo que decide e sim a possibilidade que me arranca desse hoje, desse amanhã e não desse nunca mais que esperam tanto, se tem uma certeza que me dou todo dia, é que nada na vida é nunca.


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Bocados.

Preciso de uma verdadeira ereção. Ereção sem maldades ou intimidades pro adjetivo “sexual”. Eu costumo acreditar que uma ereção em longo prazo é quando você se depara com os amigos num barzinho e falam de como vai à vida, esses prazeres que por vez ou outra parecem pequenos e é nisso que encontro essa minha ereção mundana, nesses pequenos detalhes da vida, nesse amor frouxo de consideração, nessa emancipação louca de amigo-irmão, sabe? Mas, a minha ereção verdadeira é quando eu me deparo assim, sozinho no enlace do momento, me deixando levar pelo embalo das coisas que só eu posso entender – já tiveram esses momentos ai? Esse em que você abre o chuveiro e acende um cigarro e desata a pensar nas desgraças que vem ocorrendo? Eu vivo desses momentos malucos da mente – e que ninguém mais poderia ousar nisso ou tentar, não estou aberto pra desperdiço, pois estou fechado para balanço, por hora...


Eu e a minha lucidez louca vivemos transando no espaço.”

Essa vai ser sempre uma frase de abertura intima, porque eu tenho esse convívio de mim para comigo mesmo sempre e acho que as pessoas deveriam se encontrar ao invés de estarem sempre procurado no outro aquilo que não encontram em si mesmas – diga-se de passagem, que nunca vão encontrar -, porque relatividade tamanha nos humanos é uma dádiva, ou não.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

She, she, she...!

Depois que ela se foi:

Queria desesperadamente escrever uma história, um livro, guardar em algo que não só a memória fosse capaz, mas algo que eu pudesse levar a qualquer lugar, algo que pudesse me assombrar, algo que pudesse ser de fato meu e dela, tê-la ali comigo de forma inteira, como já não a tinha há muito tempo. E esse desespero de despedida, essa ânsia que me caluniava de forma “retrograda” que por meios escrotos me deixavam abaixo, se entendes estes modos internos de condução interrupta ou inerte. Vivi sempre e sempre vi as coisas de tal forma, não por que de fato quisesse, mas por que as coisas deveriam ser por total realista e abrupta, por que a dor de enganar a si mesmo sempre foi maior, uma avalanche em meio ao Saara. Ela era Isaura e eu um Lúcifer. Eram tantos extremos, tanta covardia e dignidade junta, que se suportássemos por muito tempo os dois caiam em vala seca, onde nenhum poderia por hora se erguer. Eu passei a deixá-la ir, por que era o que ela desejava. Passei a ir-me também, por que era somente o que podia fazer. O mundo dá voltas e nessas voltas não existem acasos, só casos mal resolvidos de amores inacabados. Sem desfecho.



Pressuponho que ela se foi. Não volta.
Pressuponho também, que me fui. Mas, voltei para o mesmo lugar, por medo do desconhecido.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Seu tempo.

Quem sabe quanto tempo dura pra curar uma saudade?
Quem sabe quanto tempo leva um chamego, um beijo,
Um abraço e a maldita dor de cotovelo?
Quem sabe quanto tempo o tempo leva pra passar?
Ou até mesmo quanto tempo o tempo tem pra morrer?

Quanto tempo tem eu, tem você, tem nós?
Tem tempo ai, tem tempo cá, tempo lá, tem tempo.
E o tempo passa sem hora pra chegar ou sair,
Pois tempo existe, tempo consiste em deixar de ferir,
Certeza essa eu tenho, que um dia se acaba trazendo um novo amanhã.
Mas, quanto tempo tem pra matar minha saudade?
Quanto tempo tem, com você longe de mim?
Tempo não para.
Vida minha passa e eu não consigo passar...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Eu e um cabide".

Eu venho agora como uma despedida torta.

Eu venho pelos ventos que me trouxeram de longe, te dizer adeus. Eu sei que ainda falta muito pra ir, mas é que o barco ta furado, eu estou furado e essa ferida de pus e sangue não fecha, ferida essa que só os meus olhos vêem, lá no fundo, bem lá no fundo. Queria subitamente por meu coração no armário e deixar lá, até mofar e eu não sentir nada. Mas, é que nem sempre se mede as forças com a racionalidade – que não existe – assim, eu também sei que a mente é torta e não se conserta, nem se manda nela. Ela tem vida própria e eu não sei agir sem esses impulsos que me jogam na ladeira mais baixa, ou na vala seca que fica logo ali. Lá onde você deixou. Eu sei você quer que eu fique, mas não me oferece nada em troca, me segura e depois solta, assim, como se não tivesse muita importância.

E eu não entendo mais. Eu fecho os olhos assim de mansinho e te dou um sorriso mudo, apago as luzes do quarto e deixo uma lágrima correr, assim, devagarzinho. E vou deixando que minha mente mande, me descabele, que fale, que me pare... E eu não sei, sabe? Eu não sei se eu vou, se eu fico, se eu volto, se eu espero, se eu deixo, eu não sei... Mas, me diz você? Diz-me você que é sempre dona da razão e dos medos, dona da certeza e da prioridade. Manda-me ir embora e pede pra eu não voltar. Eu não sei, nem quero saber te deixar ir. Mesmo que você deixe, eu vou esperar. Por quantas vezes eu fingi não te ouvir, não sentir, não saber. E eu não sei. Sou esse moleque desvairado e bobo que para e banaliza as vírgulas, as circunstâncias. Mas, eu gosto da vida, gosto dos erros, dos meus medos. Porque eu me sinto vivo, me sinto intenso. E então, num dia de frio como os outros, existiu você. Existiram riscos, conseqüências... Existiram.

E respirando baixo, enquanto ecoava um som do fundo do armário.
Eu preguei meu coração num cabide e saí pra rua.
Eu olhava em volta sem sorrisos e meu coração dizia não. Eu o ouvia, por mais longe que eu pusesse, ele estava assim, com você.

 
 
(Um pequeno desabafo, apenas.)

Depois de ter você.

Por você:

Eu não sou esse que te toca e que você vê.
Não sou esse que te assusta ou te traz pra perto.
Não sou esse que você sente que abraça, que beija, que fica.

Eu sou esse que te olha fixamente nos olhos todos os dias, sem deixar vestígios.
Eu sou esse que sonha, que espera, que fica contente com a tua felicidade.
Eu sou esse que adormece enquanto cruza os braços e vê que o seu pesadelo passou.
Eu sou esse que espera o seu melhor, que te dá forças, que se encolhe todo quando não tem o que oferecer.

Eu sou esse. Esse e só esse.

Esse que embora nada diga tudo faz por você, tudo mede por você, tudo sonha por você. Tudo cobra de você. Esse que te olha à distância e que sente calafrios em te ter por perto, não as borboletas, mas os dragões no estomago porque é um fogo que não queima, mas não deixa parar de ferir.

E sou esse, que te olha do alto e vê você passando.
Esse que te espia na espreita, na calada.
Esse incansável.
Esse que bem lá de longe só quer te ver sorrir.


Depois:


Depois!
È ai que o mundo para, que as cordas vocais desandam, que as paredes ficam mudas, que o dia vira noite, que o sol quente me deixa com frio. E é só depois.

Depois de ter você, eu não lembro de muita coisa.
Eu sei que tenho de seguir em frente e deixar o que passou, mas é que eu não sei sabe?
Eu não sei como olhar pro mato seco e fingir que não estou ali. Fingir que eu estou bem.
Eu não sei ser assim. Não sei fingir, não sei ser o que não sou.

E depois eu não quero que essa dor aqui que me assola como bolo murcho passe.
Eu não quero ter de dizer “tchau”, então eu me grudo no mínimo vestígio de presença, no mínimo agudo que soa da sua voz, assim, na minha mente. Eu puxo tudo isso pra mim, esse bocado que eu não quero que saia e eu vou me confundindo, errando, solando, passando, deixando... Mas, eu volto. Volto porque não sei o que é suficiente, insistente de verdade.

Eu sei do antes, não do depois.
Eu sei do agora, não do amanhã.
E assim eu vou me prendendo nisso, nisso que eu chamo de depois.
E depois de ter você, pra quê?



(...)
 
 
(Texto dedicado a Nádia Moraes de grande importância nos meus escritos melosos e creio que não haja muito mais ao que se falar, apenas que foi feito com grande intensidade, veracidade e amor. Os meus mais puros sentimentos a ela.)

P.S.: O título vem de uma música de Adriana Calcanhoto - embora eu não tenha certeza é com a voz dela que escuto - Cantada - Depois de ter você.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Águas turvas.

E eu sou assim mesmo. Esse turbilhão que por onde passa leva tudo ao redor, leva porque não tem saída efusiva. Leva por incerteza. Leva só por levar um bucadinho ali, outro mais a frente... E assim a vida vai seguindo. Vai seguindo porque ninguém é de ferro, ninguém deixa tudo passar sem olhar pra trás, ninguém deixa de se arrepender – a não ser que esteja morto -, vai levando a vida, assim, na calmaria. Porque se tem pressa tudo estraga. Estraga porque a vida é só uma e tudo que é demais perde a graça. Eu me perco mesmo nesses meus desatinos, nesses meus repentinos, nesses meus cálculos de frieza constante – como se eu fosse algo definido – e constantemente digo a mim mesmo: “Não sei”. Não sei que hora ela liga e diz que volta, nem sei mesmo que horas eu volto amanhã, se estou pra amanhã, meu humor é mesmo assim, inconstante, tão inconstante que me faz ter ódio do que eu amo agora.




E não sei, não sei de novo, nem sei quando vou saber...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Ah! Não te preocupas... Tudo passa."

Eu e minha cara lavada não fomos existidas pra amar – existida porque feita é coisa propicia na minha concepção –, acho que foi mesmo mal feita, mal concebida, interrompida, inerte a valer insípida. Ando cansado dessas minhas procuras infindas por coisas já ditas por um fim. E não é que tudo se equivale disso? Inicio, meio e fim. Tem coisa que nem começa e acaba. Tem coisa que começa no fim, ou até mesmo coisa com meios contidos.

Eu não entendo como querer o outro possa ser tão mais importante do que querer a si mesmo. Eu sei que querer alguém ao seu lado é coisa bonita, coisa inspirada, coisa que se vive. Mas, acho errado. Talvez porque eu ande com os buracos todos abertos pedindo pra sarar ou até mesmo por que eu ande tão vazio e sem nada a oferecer que perdeu a graça. E vou vivendo porque mais cedo ou mais tarde se morre. Não tenho coisas pra contar, nem filhos para que contem por mim. Não tenho uma vida social anti-métrica, tenho mesmo esses fios de linha puída que vão se desgastando, assim como eu mesmo to indo. Indo por que saudade não me falta, aperto brusco, evasivo, confuso. Indo porque é mais fácil empurrar com a barriga do que se meter a besta e ficar parado, to indo porque não tem pra onde voltar, vou indo...

Hora dessas eu paro, paro num canto escuro e deixo de lado tudo isso. Hora dessas eu desisto e por vez ou outra te olho no escurinho só pra ter certeza que passou, doeu...

"Natureza viva."

A minha solidão entra em constante contato com aqueles que não pedem pra senti-la.

E isso se deve ao meu silêncio em resposta – se compreendes essa fadiga que de humana não tem nada, é mesmo espectros de um animal ao qual desconheço – e somente em resposta poderia se ter silêncio. A pergunta era muda e a resposta vinha clara. Consciente. Acho racionalidade coisa besta, coisa de quem não foi tocada lá no fundo, lá no imaterialissimo, julgadissimo, veracíssimo, sincericidissimo e põe issimo ai, porque é assim que as pessoas clareiam as coisas: Sentindo racionalidade nas veias.

Não funciona.

Sou mesmo bicho besta que cai encima do emotivo e é somente pra isso que existe homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher... Pro amor. Tem coisa mais bonita do que sair de si, do que enxergar que amor é perceber e crer que não da pra fugir do gostar? Não gostar por que tem que gostar. Gostar por gostar, gostar por cai em desenfreada no pensar, gostar porque gostar é humano e imaterial, gostar porque se ama e é amado. Gostar porque gostar faz parte do viver, conviver e do aprender.

Racionalidade mesmo é coisa de gente fraca, ponderada, medrosa. É coisa de quem mede conseqüências e atitudes pro amor. O amor é intensidade e não racionalidade, não se trata de medidas, amor é vida e não cálculos.

"O" cara certo.

O do pinto pequeno ali do lado ou o bonitão que fala besteira?
Mulheres e sua neurose. Eu costumo dizer pras minhas amigas (que falam mais do que sabem), que relacionamento é coisa furtiva. Que serve de consolo pra perna manca da gente. Pois, se não se deram conta, todo mundo tem uma perna manca. Não literalmente.

É bem assim, saem de casa com um mau humor por não ter tido aquela foda boa da noite anterior. Sai logo xingando o vizinho pelo som alto, fica puta pelo arranhão do carro que provavelmente se deu conta justamente hoje, sente-se logo vazia por que não teve o homem que queria. Sabe que mulher é bicho homem ás avessas né? Então sai atrasada pro trabalho vai andando a pé, pois o carro já não ta prestando. Ai sente logo aquele vazio como se metade do ser humano que é, não existisse. Liga pra droga do PA (pau amigo, eu já acho que isso é perda de tempo, como diz uma amiga minha ou até mesmo Tati Bernardi: “Pau amigo é coisa de sapatão.”) à noite e o cara ta ocupado. A perna vai ficando mais manca ainda, não que ela precise de reparos, é só que mulher se incomoda com o mínimo. Sabe essas coisas assim pequenas e sem importância? Ai encana logo, preciso do c-a-r-a-c-e-r-t-o.

Mas, que droga é essa de “cara certo”? Na prática: Bonito, inteligente, educado, cavalheiro... Filha desencana logo, homem é bruto, beleza é coisa de bixinha e homem inteligente já tem dona.

Três tipos de homens existentes: Gays; Meio Gays; Cavalos.
A escolha é inteiramente sua, você pode escolher um cara inteligente que pode logo depois aparecer com “outro”, ou aprender a amar os defeitos dos outros. A primeira opção nem precisa ser comentada de fato, não é mesmo? (não) Quem nunca ouviu uma mulher dizer que quer encontrar alguém que ame ela? Estória na certa, análise: São as mulheres que dispensam. As mulheres não ligam no dia seguinte. O interessado é sempre o pobre coitado do homem, que belo futuro. Mulher atual é só no nome... Mulher que é mulher mesmo vive esperando que o homem faça, se o cano ta estragado, manda o marido concertar e quando não tem? Arranja um feinho pra cuidar desses detalhes assim, sabe? Mulher só tem cara e jeito de boba. Inteligência mesmo, não falta.

Eu digo logo, essa coisa de “O cara certo” é motivo de indecisão. Mulher que é mulher vai à luta, encara as dificuldades, aceita os defeitos. Procure consertar a perna que ta mancando e assim a vida vai seguindo. Não dá pra esperar “O” cara certo e nem existe essa de “O” cara errado. O que existe são relacionamentos que acabaram e que você não soube aprender com eles. O que existe são defeitos que nós não sabemos conviver com eles e isso muda de pessoa pra pessoa. Mulher é bicho complicado. Mas, mulher merece ser tão amada como amam loucamente.


(Levem o lado cômico e sinuoso do texto, nada mais.)