E andas por aí dizendo que se tivesse sido comigo, teria sido diferente e displicente e cheio destas coisas de não duvidas e cheios destes meios e desculpas que me trazem fadigas imensas e não dirás muita coisa também, só encherá meu saco... Aí me virão imensos sermões de quem não conhece e que apertam a fala, o gatilho e me perguntarão se sairei no final de semana, como se eu tivesse espiríto urbanoide pra sair correndo a meia noite ligando pros amigos, vizinhos e qualquer coisa que me faça por os pés na rua. Não, eu não vou sair... Se encher meu saco, pego uma faca, uma navalha, uma linha retórica de faz de conta e tento o suicidio, se quiser me salvar, dengo, podes vir ... Mas, para mim é sempre casa, cigarro e coisas bem a menas, coisas que nem chegam longe demais, nem me desgastam demais, só me deixam vivos e exaustos da falta do que não me falta e sim, não ando com estas meias...
Então, tranquilize-se...
A paz chega sem muitas relutâncias, basta tirar a sandalia velha e ficar descalço. Uma nova requer bastante cuidado.
terça-feira, 13 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
"Divino"...
Eu não vou parar por aqui.
Todas as pessoas têm me deixado cair e cair feio, fundo. Sem exageros da minha parte, mas eu não vou desistir de mim, ainda é muito cedo pra dizer que perdi alguma coisa.
Tudo que tem ido, tem vindo pra mim em dobro, eu perdi tantos amigos que me eram bons e não ganhei nada em troca por ter dado o meu melhor. Magoei-me, chorei, gritei e segui em frente. Não é uma conclusão nova, mas quando se vive na prática você retoma tudo o que as pessoas – poetas, escritores, pais, avós, tios, padrinhos, vizinhos – te dizem: “Você sempre perde alguma coisa, mas ganham outras...” ou até mesmo o eterno: “Deus sabe o que faz...”.
É verdade, tudo se perde um dia e qualquer perda magoa até mesmo as que queremos, talvez nem seja dor - a não ser que vejamos saudade como dor. Eu acredito que ainda existe tanta coisa boa andando por aí, tanta coisa que ainda me resta ver, tantas pessoas que acreditam em si e nos outros, que vêem a paz como a salvação pras pessoas que tem coração e pras que não tem também. Resta um pedacinho de fôlego no mundo, resta uma mão puxando tudo, restam gotas de água caindo do céu pra não termos cede, caos pra tirarmos lições, pessoas que se preocupam apenas em ajudar dentro das suas impossibilidades.
Eu vejo pessoas pairando em cada alusão de um dia, eu vejo um mundo em que falta um empurrão pra ganharmos virtudes, eu vejo coisas horríveis no jornal e leio coisas maravilhosas em livros, aprendo coisas com a TV e vivendo, mas eu nunca, NUNCA vou despertar o mal que existe aqui. Eu vivo e não cedo e eu cedo pra poder viver. Faço o bem, faço casas, desfaço todas elas e as recrio todos os dias, alugo pessoas com péssimas intenções pra lhes dar consciência, eu sirvo ao mundo que eu quero pra mim e sirvo a mim mesmo por querer o bem independente de pra quem.
Eu vivo acreditando nas pessoas, olhando de olhos fechados pra todas elas e vivendo com os olhos abertos pra dar a todas as que estão ao meu alcance. Eu vivo. Eu acredito e é exatamente por isso que só falta um pouquinho pra chegarmos lá...
Vai devagarzinho, mas vai... Esse pelo menos é um dos barcos que ninguém vai permitir afundar. Só depende de você, de mim, de nós... Faça e faça rápido, porque ninguém espera a morte pra exigir vida.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Ora... Oras e ORRAS!
Olha que eu sou daqueles caras meia boca, que saem se despedindo antes da hora, olha lá em... Eu tenho manias em excesso, dou inúmeras tragadas no meu cigarro, dou trezentas goladas no meu wisk, tomo remédios pra vê se tiro qualquer dor que surja, previno cancêr com café e limão, tenho tantos hábitos ordinários e saudáveis... E aí vem qualquer um e me diz que vou morrer, que estou morrendo, que não vou passar de hoje, ora essa! Tô vivendo, não ando aquecendo caixão nenhum, nem fico preocupado com dia ou hora, eu sei o que é bom pra mim, sei que o que é bom pra mim é o que eu gosto, é um cigarro forte que me tira o saco cheio, é o barulho alto, andar rápido no carro do meu pai, é emburrar e comer muito sal... E daí, não vou morrer de qualquer forma? Então me deixa e nem me venhas com estas babozeiras de eu me preocupo com você, é porque só quero o teu bem, NADA disso. Não tem porra de gostar nenhum nesse que você vê felicidade e não fica bem também.
Daqui há uns aninhos, vou morrer e você pode até ir primeiro e aí? Não vão ser meus risco e vícios quem vai e fica, ainda existe essa merda de lágrima de adeus e de lembranças inúteis, ainda existem muitas coisas aqui que acabam sem acabar, lhe asseguro... Então dane-se esta porra de preceitos e preocupações, tudo passa!
Daqui há uns aninhos, vou morrer e você pode até ir primeiro e aí? Não vão ser meus risco e vícios quem vai e fica, ainda existe essa merda de lágrima de adeus e de lembranças inúteis, ainda existem muitas coisas aqui que acabam sem acabar, lhe asseguro... Então dane-se esta porra de preceitos e preocupações, tudo passa!
sábado, 27 de março de 2010
Não se esqueça de mim...
Como se essa meia coisa de ser e ter fizessem de fato sentido. Acontecimento nenhum este que impõe a sinuosa falta do que não me falta. Pode ser que seja esta relatividade de amor jogado, ou este sentimento que alugo como “e se”...
E se eu ficasse, e se eu quisesse, e se fosse ela quem desse adeus, e se não acabasse e se tivesse de novo, e se eu a amasse, e se ela? São tantas lacunas e tão poucas proximidades, tantos buracos e tão pouco amor. Pergunto-me se jogamos fora metade do ser que éramos por presunção e capricho, ou se apenas fizemos da razão certeza, qual foi? E como procede?
Queríamos tão pouco um do outro e parecíamos exigir tão mais do que salientavam sobre a tua espera – não esperei nada e por isso não tive nada -, tão mais do que diziam, tão mais daqueles que não queriam e também sobre quem teve e não quis. Tivemos este breu e uma dor mansa, uma cólica que abatia e o remédio era distância. Em meio a este caos, nos levantamos e fomos em frente... Mas, e se?
Esse “se” também se foi, restaram lembranças, poucas e maleáveis, tenho medo do que vai sumindo, do que vai deixando e do que já não é mais, tenho medo deste sentimento de “e se” e da pouca falta que me faz, tenho medo de você, tenho medo da distância, tenho medo... E esses medos se vão também, se vão com o resto, a sobra, que ficou de você em mim. Sinto falta do teu sexo, sinto falta dos teus suspiros, sinto falta do teu sorriso, sinto falta dos teus lábios me comendo, sinto falta do que parecia ser nojento e era apenas sentimento, quando não restava mais nenhuma parte do teu corpo a ser possuída - a ser limpa pela minha língua -, sentia que meu dever higiênico havia-se cumprido, insistente amor, dentro das tuas entranhas e dentro do meu intimo, faz falta.
Mas, sei que não era amor, não era atração, não era nada disso, não era imundo como estes porcos deixam à vista, não se tratava de nada real, se tratava do desejo e das regras. Se for jogo, que seja... Ainda sim, foram metades complementares por pura “nojeira” detida em violação do intimo. Violei-te e você me violou, não devemos nada um ao outro e exatamente por isso estamos tão limpos e livres como se nada tivesse acontecido. E não aconteceu.
Escrevo a você porque existe essa parte que falta ser posta pra fora, algumas coisas que eu te diria se você tivesse me ligado ontem, eu te diria tanta coisa, mas tanta bobagem e te faria rir e seria tão bom como se fossemos o que nunca fomos, e te faria feliz e te mostraria o quanto a tua felicidade fazia parte e não era amor, não pode ser amor, e te mostraria o quanto tentar poderia ser. Mas, não foi. E depois de tempos, não restarão resíduos da tua pele na minha, não sobrará cama alguma, não restará casa nenhuma em que coubesse nós dois, aquele Posto na Avenida Castelo Branco, aquele dia em fevereiro em que dançávamos gostos tão diferentes dos nossos, não vai caber o nosso mês no calendário, não vai caber lembrança alguma que traga dor, não nos aceitarão como lembrança...
E o tempo vai passar, as nossas vidas vão passar, não vou ter notícias de você e nem você saberá de mim, só vou fazer questão de lembrar de como você era – mesmo que seja egoísta, sexual, autoritária, com o teu sorriso engraçado e as tuas farpas, aliás, as nossas, até mesmo do teu cabelo vermelho fogo e da tua voz de criança – e vou fazer questão de lembrar, de lembrar das partes que passaram e de como foi bom ter você por aqui... Uma pena saber que tudo na vida é uma grande ilusão diária, desde um emprego a um romance fajuto, uma pena saber que tudo na vida tem um fim, por mais que o sentimento deva ser eterno as pessoas enfim, tem de ir pro seu lugar.
(Ao som de: Palpite - Adriana Calcanhotto)
quarta-feira, 24 de março de 2010
...
"Mais uma vez
vejo o mar
voltar
como imagem
Passagem
de átomo a paisagem".
E aí um meio, um esqueleto, uma esfera e uma peça.. E se quebra, refazer? Ai, ai, ai... Nem espaço tem, pra essa onda de ninguém, pra esse emaranhado de amor. Tão perdido... É só suor, é uma esfera sem dó de quem passou pra viver.
Só por falta.
segunda-feira, 22 de março de 2010
FEZ FRIO;
Me faltaram tantas coisas... E de certas coisas tive medo, tive medo dessas coisas que me partiam e me abriam e me destruiam e me olhavam e iam embora... Tive medo do dia, que vinha tão cheio de gente, tinha medo do calor que me atacava e me tirava a única coisa que me fazia confiante, e eu me desdobrava, me enganava, chorava como um alguém sem colo e me desesperava e me iludia, e me cansava... E ficava ali, perdido, no meio da janela, com um cigarro aceso - o mesmo de sempre - e tinha medo da novidade, medo!
Oh! Que coisa mais medonha, em outro tempo qualquer me diriam que não era e que se fosse, desvirasse, que se não fosse, ficasse da forma que estava... E eu aludido em meio a coisas de quem diz que pretende, não pretendia nada... E te fitava em meio a praça e você nem ligava, porque zé ninguém nem importância tem. E tudo bem, te olhar, te imaginar e acordar depois... Tudo bem. E foi passando, foi morrendo e foi...
Fez frio...
Frio fez...
Passou também.
E era noite, depois dia, sem medo algum se anda, se vai, se acredita... Ora essa, é só mais uma ilusão e quantas mais não te faltam? Não me faltam... Não me enganam?
Faz frio...
segunda-feira, 15 de março de 2010
--
"É que como humanos, estamos aptos a nos deixar esvair pelos nossos sentimentos sem importância, e fazer dele um borburinho. Tornamos o pequeno grande e o grande pequeno, é essa troca que vai movendo as pessoas. A se diluirem ao minimo, ou se tornarem o maximo. "
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Cabala.
Fazemos faces, bicos, comerciais... Encurtamos o corpo pra vestir as roupas certas, fumamos um cigarro pra parecermos modernos, fazemos menos amigos pra ser meio antenados e ter nossos próprios mundos. Matamos os nossos pais em pensamento pra causar a liberdade, nos revoltamos com a vizinha que não nos deixa ouvir o nosso som em paz, nos suicidamos pra sermos comoventes. Fazemos até cena de TV e vamos investir no Twitter pra sermos popular, vamos encaixar a divindade no nosso nome e vamos até mesmo destruir a nossa moradia e beleza só pra ser um pouco agressivo. Matamos milhares de pessoas todos os dias, o amor a cada segundo, desistimos de nós mesmos a cada instante, lutamos pela igualdade e se vê descaso. Achamos o que é perdido certo e o certo como perdido. A lei perdeu a validade, a arrogância tornou-se convincente. As pessoas não são mais quem são, se cobrem com a faca, a vela, a tendência e a costura do seu corpo fica a mostra. Perderam-se os valores.
Moralmente falando, recobro toda a vida taxada. O mundo não é mais uma coberta, tornou-se essa sapiência encubada, raros são esses que se abalam com os seus próprios sentimentos e que vão à luta pelas suas próprias ânsias. O segredo de existir não é deixar e viver. O segredo é insistir em si mesmo, enquanto a revolta faz-se o caso, a humildade e vontade ficam a milhas de distâncias do peito...
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Soslaio.
Olha aqui:
A gente passa metade da vida da gente construindo e derrubando muros.
Espera pelo príncipe no cavalo branco, pela Cinderela na carruagem... Espera até mesmo o sono profundo. A gente move cada esperança boba. Cada sonhos e suspiros que o nosso coração alimenta. A gente faz curvas na própria casa, a gente nada fora d’água. A gente tem fé em alguma coisa. A gente até ama mais do que deve, bebe mais do que deve, chora e espanta. Chora de emoção, de alegria, chora pelos objetivos alcançados.
A gente chora pelo abraço perdido, pela montanha derrubada. Pelo corpo que se foi, pela lágrima que escorre, chora pela gente, chora por gente... Sem querer, sabemos dos nossos sentimentos. E mesmo lutando com os muros, quebrando os dos outros, levantando os nossos, a gente continua parado. Falavam-me sempre de um tripé, de uma instabilidade, de um romance... Cheguei à conclusão que eu preciso de quatro pernas pra viver, que eu preciso de alguém que ande do meu lado. Não de alguém que me deixa estático, isso não é vida, não tem emoções além das próprias e o tempo mesmo vai se perdendo. A gente sonha sabe? Sonha com um dia em que estaremos do lado de alguém que amamos, abraçaremos forte e baixo, calaremos todo o mundo e choraremos de alegria.
A vida não tem vários muros. A vida é uma estrada que não tem rumo enquanto não tivermos escolhas. Pegue o seu cimento e tinta, vai colorindo a sua estrada, o seu caminho... Vai pintando a sua vida e não se assuste com os buracos que arrombarão essa sua obra, reconstrua, não espere. Apenas faça, faça o caminho que você quer seguir.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Chiaroscuro.
Deteste-me
Abraça-me
Cale-me
Engula-me
Deseje-me
Segura-me
Não me sinta
Não me queira
Não me espere
Não me perca
Não me deixa
Não me ame
Forte
Leve
Fraco
Instinto
Feminina como bruma
Masculino como pedra
Devora-te ser que és
Compreenda que assim seja
Avalia-te como foi
Esqueça quem és
Apague-se
Desnuda-se
Cubra-se
Esqueça-me
Passado te devora
Instintos mudos se aproximam
Cavalo de tróia em queda
Tereza há vista
Romeu e Julieta morrendo
Vistas
Dores em espinhos
Espinho sem dores
Amores sem perdidos
Perdidos com amores
Avalia-me
Só não me perca
Mas, também não sinta
Esguia
Respira
Boca fechada.
O silêncio destes escombros,
A qual por fim, não perdoou.
Esconda.
Tenebra.
Demorei anos tentando compreender de onde a nevoa que morava em mim veio. Não era nenhum sentimento estragado, nenhuma febre ou doença, nem eram saudades, nem era distância, disso me punha a ter certeza. Era uma nuvem tênue que me cobria, era... E eu era alguma coisa que se condizia a palavras que me prepuseram meses atrás, esgueirava-me na dúvida que de longe parecia sólida, não cutucava calos, deixava que murchassem e assim sobressaía-me de feridas que de longe pareciam ir sarando aos poucos, marca nenhuma me tocava. Assim como eu mesmo não me punha a tocar ferida alguma. Aceitei enfim, que os ventos levassem tudo embora, alguma coisa que em mim – e pode-se chamar de amadurecimento, até mesmo rabugice – com o passar do tempo foi tirando esses meus impulsos amorosos. Afastava-me das coisas e pessoas que, vagarosamente, me acolhiam. Lembrava-me docemente de passados amortecidos que fui perdendo. Alguma coisa falha em mim me fazia lembrar de algumas dores que no meu álbum velho de fotografias não existia, jogava-me nas lembranças, afogava-me... Chorava tantas dores e medos, timbro... Compreendia que era isso que me tornava aos poucos, timbro, e se queria essa capitania elitista, individualista, contra me punha há alguma fé que desconhecia, contra me punha a valores que há mim eram desconhecidos. Mais me parecia um sapato velho, prestes a ir ao lixo. A sola esgotada, o seu brilho apagado, pueril sapato. Jogado. Prestes fielmente ao encontro com o seu próprio dono: O tempo... Acabar-se-ia de vez nos seus 60 anos, quem sabe mais. Duraria algum tempo, esgotar-se-ia de dores. E enfim, ainda não cobraria nada, morto-vivo. (Sou humano por essa dádiva, pelos meus lamentos, pelos questionamentos que ainda me ponho a fazer quando acordo, sabe? Sou humano por ter decisões. Sou humano por ter fé no mundo e na gente, cara...)
Mas eu não quero ter essa sorte balanceada, nem viver como um morto-vivo. Entrego minha sorte ao tempo, vou deixando que enfim se jogue pro lado algumas coisas que eu mesmo não entendo. Vou vivendo cara, porque eu sei que mais tarde se morre, vai saber até mais cedo, não faço previsões do tempo... Mas, eu vou, vou pra algum lugar onde nem eu ou você se bata, vou pro meu canto e deixo que a vida passe, vai vivendo cara, como eu sei que é viver...
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