Olha que eu sou daqueles caras meia boca, que saem se despedindo antes da hora, olha lá em... Eu tenho manias em excesso, dou inúmeras tragadas no meu cigarro, dou trezentas goladas no meu wisk, tomo remédios pra vê se tiro qualquer dor que surja, previno cancêr com café e limão, tenho tantos hábitos ordinários e saudáveis... E aí vem qualquer um e me diz que vou morrer, que estou morrendo, que não vou passar de hoje, ora essa! Tô vivendo, não ando aquecendo caixão nenhum, nem fico preocupado com dia ou hora, eu sei o que é bom pra mim, sei que o que é bom pra mim é o que eu gosto, é um cigarro forte que me tira o saco cheio, é o barulho alto, andar rápido no carro do meu pai, é emburrar e comer muito sal... E daí, não vou morrer de qualquer forma? Então me deixa e nem me venhas com estas babozeiras de eu me preocupo com você, é porque só quero o teu bem, NADA disso. Não tem porra de gostar nenhum nesse que você vê felicidade e não fica bem também.
Daqui há uns aninhos, vou morrer e você pode até ir primeiro e aí? Não vão ser meus risco e vícios quem vai e fica, ainda existe essa merda de lágrima de adeus e de lembranças inúteis, ainda existem muitas coisas aqui que acabam sem acabar, lhe asseguro... Então dane-se esta porra de preceitos e preocupações, tudo passa!
quarta-feira, 31 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Não se esqueça de mim...
Como se essa meia coisa de ser e ter fizessem de fato sentido. Acontecimento nenhum este que impõe a sinuosa falta do que não me falta. Pode ser que seja esta relatividade de amor jogado, ou este sentimento que alugo como “e se”...
E se eu ficasse, e se eu quisesse, e se fosse ela quem desse adeus, e se não acabasse e se tivesse de novo, e se eu a amasse, e se ela? São tantas lacunas e tão poucas proximidades, tantos buracos e tão pouco amor. Pergunto-me se jogamos fora metade do ser que éramos por presunção e capricho, ou se apenas fizemos da razão certeza, qual foi? E como procede?
Queríamos tão pouco um do outro e parecíamos exigir tão mais do que salientavam sobre a tua espera – não esperei nada e por isso não tive nada -, tão mais do que diziam, tão mais daqueles que não queriam e também sobre quem teve e não quis. Tivemos este breu e uma dor mansa, uma cólica que abatia e o remédio era distância. Em meio a este caos, nos levantamos e fomos em frente... Mas, e se?
Esse “se” também se foi, restaram lembranças, poucas e maleáveis, tenho medo do que vai sumindo, do que vai deixando e do que já não é mais, tenho medo deste sentimento de “e se” e da pouca falta que me faz, tenho medo de você, tenho medo da distância, tenho medo... E esses medos se vão também, se vão com o resto, a sobra, que ficou de você em mim. Sinto falta do teu sexo, sinto falta dos teus suspiros, sinto falta do teu sorriso, sinto falta dos teus lábios me comendo, sinto falta do que parecia ser nojento e era apenas sentimento, quando não restava mais nenhuma parte do teu corpo a ser possuída - a ser limpa pela minha língua -, sentia que meu dever higiênico havia-se cumprido, insistente amor, dentro das tuas entranhas e dentro do meu intimo, faz falta.
Mas, sei que não era amor, não era atração, não era nada disso, não era imundo como estes porcos deixam à vista, não se tratava de nada real, se tratava do desejo e das regras. Se for jogo, que seja... Ainda sim, foram metades complementares por pura “nojeira” detida em violação do intimo. Violei-te e você me violou, não devemos nada um ao outro e exatamente por isso estamos tão limpos e livres como se nada tivesse acontecido. E não aconteceu.
Escrevo a você porque existe essa parte que falta ser posta pra fora, algumas coisas que eu te diria se você tivesse me ligado ontem, eu te diria tanta coisa, mas tanta bobagem e te faria rir e seria tão bom como se fossemos o que nunca fomos, e te faria feliz e te mostraria o quanto a tua felicidade fazia parte e não era amor, não pode ser amor, e te mostraria o quanto tentar poderia ser. Mas, não foi. E depois de tempos, não restarão resíduos da tua pele na minha, não sobrará cama alguma, não restará casa nenhuma em que coubesse nós dois, aquele Posto na Avenida Castelo Branco, aquele dia em fevereiro em que dançávamos gostos tão diferentes dos nossos, não vai caber o nosso mês no calendário, não vai caber lembrança alguma que traga dor, não nos aceitarão como lembrança...
E o tempo vai passar, as nossas vidas vão passar, não vou ter notícias de você e nem você saberá de mim, só vou fazer questão de lembrar de como você era – mesmo que seja egoísta, sexual, autoritária, com o teu sorriso engraçado e as tuas farpas, aliás, as nossas, até mesmo do teu cabelo vermelho fogo e da tua voz de criança – e vou fazer questão de lembrar, de lembrar das partes que passaram e de como foi bom ter você por aqui... Uma pena saber que tudo na vida é uma grande ilusão diária, desde um emprego a um romance fajuto, uma pena saber que tudo na vida tem um fim, por mais que o sentimento deva ser eterno as pessoas enfim, tem de ir pro seu lugar.
(Ao som de: Palpite - Adriana Calcanhotto)
quarta-feira, 24 de março de 2010
...
"Mais uma vez
vejo o mar
voltar
como imagem
Passagem
de átomo a paisagem".
E aí um meio, um esqueleto, uma esfera e uma peça.. E se quebra, refazer? Ai, ai, ai... Nem espaço tem, pra essa onda de ninguém, pra esse emaranhado de amor. Tão perdido... É só suor, é uma esfera sem dó de quem passou pra viver.
Só por falta.
segunda-feira, 22 de março de 2010
FEZ FRIO;
Me faltaram tantas coisas... E de certas coisas tive medo, tive medo dessas coisas que me partiam e me abriam e me destruiam e me olhavam e iam embora... Tive medo do dia, que vinha tão cheio de gente, tinha medo do calor que me atacava e me tirava a única coisa que me fazia confiante, e eu me desdobrava, me enganava, chorava como um alguém sem colo e me desesperava e me iludia, e me cansava... E ficava ali, perdido, no meio da janela, com um cigarro aceso - o mesmo de sempre - e tinha medo da novidade, medo!
Oh! Que coisa mais medonha, em outro tempo qualquer me diriam que não era e que se fosse, desvirasse, que se não fosse, ficasse da forma que estava... E eu aludido em meio a coisas de quem diz que pretende, não pretendia nada... E te fitava em meio a praça e você nem ligava, porque zé ninguém nem importância tem. E tudo bem, te olhar, te imaginar e acordar depois... Tudo bem. E foi passando, foi morrendo e foi...
Fez frio...
Frio fez...
Passou também.
E era noite, depois dia, sem medo algum se anda, se vai, se acredita... Ora essa, é só mais uma ilusão e quantas mais não te faltam? Não me faltam... Não me enganam?
Faz frio...
segunda-feira, 15 de março de 2010
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"É que como humanos, estamos aptos a nos deixar esvair pelos nossos sentimentos sem importância, e fazer dele um borburinho. Tornamos o pequeno grande e o grande pequeno, é essa troca que vai movendo as pessoas. A se diluirem ao minimo, ou se tornarem o maximo. "
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