Depois que ela se foi:
Queria desesperadamente escrever uma história, um livro, guardar em algo que não só a memória fosse capaz, mas algo que eu pudesse levar a qualquer lugar, algo que pudesse me assombrar, algo que pudesse ser de fato meu e dela, tê-la ali comigo de forma inteira, como já não a tinha há muito tempo. E esse desespero de despedida, essa ânsia que me caluniava de forma “retrograda” que por meios escrotos me deixavam abaixo, se entendes estes modos internos de condução interrupta ou inerte. Vivi sempre e sempre vi as coisas de tal forma, não por que de fato quisesse, mas por que as coisas deveriam ser por total realista e abrupta, por que a dor de enganar a si mesmo sempre foi maior, uma avalanche em meio ao Saara. Ela era Isaura e eu um Lúcifer. Eram tantos extremos, tanta covardia e dignidade junta, que se suportássemos por muito tempo os dois caiam em vala seca, onde nenhum poderia por hora se erguer. Eu passei a deixá-la ir, por que era o que ela desejava. Passei a ir-me também, por que era somente o que podia fazer. O mundo dá voltas e nessas voltas não existem acasos, só casos mal resolvidos de amores inacabados. Sem desfecho.
Pressuponho que ela se foi. Não volta.
Pressuponho também, que me fui. Mas, voltei para o mesmo lugar, por medo do desconhecido.