terça-feira, 13 de abril de 2010

...

E andas por aí dizendo que se tivesse sido comigo, teria sido diferente e displicente e cheio destas coisas de não duvidas e cheios destes meios e desculpas que me trazem fadigas imensas e não dirás muita coisa também, só encherá meu saco... Aí me virão imensos sermões de quem não conhece e que apertam a fala, o gatilho e me perguntarão se sairei no final de semana, como se eu tivesse espiríto urbanoide pra sair correndo a meia noite ligando pros amigos, vizinhos e qualquer coisa que me faça por os pés na rua. Não, eu não vou sair... Se encher meu saco, pego uma faca, uma navalha, uma linha retórica de faz de conta e tento o suicidio, se quiser me salvar, dengo, podes vir ... Mas, para mim é sempre casa, cigarro e coisas bem a menas, coisas que nem chegam longe demais, nem me desgastam demais, só me deixam vivos e exaustos da falta do que não me falta e sim, não ando com estas meias...
Então, tranquilize-se...
A paz chega sem muitas relutâncias, basta tirar a sandalia velha e ficar descalço. Uma nova requer bastante cuidado.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Divino"...

Eu não vou parar por aqui.
   Todas as pessoas têm me deixado cair e cair feio, fundo. Sem exageros da minha parte, mas eu não vou desistir de mim, ainda é muito cedo pra dizer que perdi alguma coisa.
   Tudo que tem ido, tem vindo pra mim em dobro, eu perdi tantos amigos que me eram bons e não ganhei nada em troca por ter dado o meu melhor. Magoei-me, chorei, gritei e segui em frente. Não é uma conclusão nova, mas quando se vive na prática você retoma tudo o que as pessoas – poetas, escritores, pais, avós, tios, padrinhos, vizinhos – te dizem: “Você sempre perde alguma coisa, mas ganham outras...” ou até mesmo o eterno: “Deus sabe o que faz...”.
    É verdade, tudo se perde um dia e qualquer perda magoa até mesmo as que queremos, talvez nem seja dor - a não ser que vejamos saudade como dor. Eu acredito que ainda existe tanta coisa boa andando por aí, tanta coisa que ainda me resta ver, tantas pessoas que acreditam em si e nos outros, que vêem a paz como a salvação pras pessoas que tem coração e pras que não tem também. Resta um pedacinho de fôlego no mundo, resta uma mão puxando tudo, restam gotas de água caindo do céu pra não termos cede, caos pra tirarmos lições, pessoas que se preocupam apenas em ajudar dentro das suas impossibilidades.
    Eu vejo pessoas pairando em cada alusão de um dia, eu vejo um mundo em que falta um empurrão pra ganharmos virtudes, eu vejo coisas horríveis no jornal e leio coisas maravilhosas em livros, aprendo coisas com a TV e vivendo, mas eu nunca, NUNCA vou despertar o mal que existe aqui. Eu vivo e não cedo e eu cedo pra poder viver. Faço o bem, faço casas, desfaço todas elas e as recrio todos os dias, alugo pessoas com péssimas intenções pra lhes dar consciência, eu sirvo ao mundo que eu quero pra mim e sirvo a mim mesmo por querer o bem independente de pra quem.
    Eu vivo acreditando nas pessoas, olhando de olhos fechados pra todas elas e vivendo com os olhos abertos pra dar a todas as que estão ao meu alcance. Eu vivo. Eu acredito e é exatamente por isso que só falta um pouquinho pra chegarmos lá...

Vai devagarzinho, mas vai... Esse pelo menos é um dos barcos que ninguém vai permitir afundar. Só depende de você, de mim, de nós... Faça e faça rápido, porque ninguém espera a morte pra exigir vida.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ora... Oras e ORRAS!

Olha que eu sou daqueles caras meia boca, que saem se despedindo antes  da hora, olha lá em... Eu tenho manias em excesso, dou inúmeras tragadas no meu cigarro, dou trezentas goladas no meu wisk, tomo remédios pra vê se tiro qualquer dor que surja, previno cancêr com café e limão, tenho tantos hábitos ordinários e saudáveis... E aí vem qualquer um e me diz que vou morrer, que estou morrendo, que não vou passar de hoje, ora essa! Tô vivendo, não ando aquecendo caixão nenhum, nem fico preocupado com dia ou hora, eu sei o que é bom pra mim, sei que o que é bom pra mim é o que eu gosto, é um cigarro forte que me tira o saco cheio, é o barulho alto, andar rápido no carro do meu pai, é emburrar e comer muito sal... E daí, não vou morrer de qualquer forma? Então me deixa e nem me venhas com estas babozeiras de eu me preocupo com você, é porque só quero o teu bem, NADA disso. Não tem porra de gostar nenhum nesse que você vê felicidade e não fica bem também.

Daqui há uns aninhos, vou morrer e você pode até ir primeiro e aí? Não vão ser meus risco e vícios quem vai e fica, ainda existe essa merda de lágrima de adeus e de lembranças inúteis, ainda existem muitas coisas aqui que acabam sem acabar, lhe asseguro... Então dane-se esta porra de preceitos e preocupações, tudo passa!

sábado, 27 de março de 2010

Não se esqueça de mim...

   Como se essa meia coisa de ser e ter fizessem de fato sentido. Acontecimento nenhum este que impõe a sinuosa falta do que não me falta. Pode ser que seja esta relatividade de amor jogado, ou este sentimento que alugo como “e se”...
   E se eu ficasse, e se eu quisesse, e se fosse ela quem desse adeus, e se não acabasse e se tivesse de novo, e se eu a amasse, e se ela? São tantas lacunas e tão poucas proximidades, tantos buracos e tão pouco amor. Pergunto-me se jogamos fora metade do ser que éramos por presunção e capricho, ou se apenas fizemos da razão certeza, qual foi? E como procede?
  Queríamos tão pouco um do outro e parecíamos exigir tão mais do que salientavam sobre a tua espera – não esperei nada e por isso não tive nada -, tão mais do que diziam, tão mais daqueles que não queriam e também sobre quem teve e não quis. Tivemos este breu e uma dor mansa, uma cólica que abatia e o remédio era distância. Em meio a este caos, nos levantamos e fomos em frente... Mas, e se?
  Esse “se” também se foi, restaram lembranças, poucas e maleáveis, tenho medo do que vai sumindo, do que vai deixando e do que já não é mais, tenho medo deste sentimento de “e se” e da pouca falta que me faz, tenho medo de você, tenho medo da distância, tenho medo... E esses medos se vão também, se vão com o resto, a sobra, que ficou de você em mim. Sinto falta do teu sexo, sinto falta dos teus suspiros, sinto falta do teu sorriso, sinto falta dos teus lábios me comendo, sinto falta do que parecia ser nojento e era apenas sentimento, quando não restava mais nenhuma parte do teu corpo a ser possuída - a ser limpa pela minha língua -, sentia que meu dever higiênico havia-se cumprido, insistente amor, dentro das tuas entranhas e dentro do meu intimo, faz falta.
  Mas, sei que não era amor, não era atração, não era nada disso, não era imundo como estes porcos deixam à vista, não se tratava de nada real, se tratava do desejo e das regras. Se for jogo, que seja... Ainda sim, foram metades complementares por pura “nojeira” detida em violação do intimo. Violei-te e você me violou, não devemos nada um ao outro e exatamente por isso estamos tão limpos e livres como se nada tivesse acontecido. E não aconteceu.
  Escrevo a você porque existe essa parte que falta ser posta pra fora, algumas coisas que eu te diria se você tivesse me ligado ontem, eu te diria tanta coisa, mas tanta bobagem e te faria rir e seria tão bom como se fossemos o que nunca fomos, e te faria feliz e te mostraria o quanto a tua felicidade fazia parte e não era amor, não pode ser amor, e te mostraria o quanto tentar poderia ser. Mas, não foi. E depois de tempos, não restarão resíduos da tua pele na minha, não sobrará cama alguma, não restará casa nenhuma em que coubesse nós dois, aquele Posto na Avenida Castelo Branco, aquele dia em fevereiro em que dançávamos gostos tão diferentes dos nossos, não vai caber o nosso mês no calendário, não vai caber lembrança alguma que traga dor, não nos aceitarão como lembrança...
  E o tempo vai passar, as nossas vidas vão passar, não vou ter notícias de você e nem você saberá de mim, só vou fazer questão de lembrar de como você era – mesmo que seja egoísta, sexual, autoritária, com o teu sorriso engraçado e as tuas farpas, aliás, as nossas, até mesmo do teu cabelo vermelho fogo e da tua voz de criança – e vou fazer questão de lembrar, de lembrar das partes que passaram e de como foi bom ter você por aqui... Uma pena saber que tudo na vida é uma grande ilusão diária, desde um emprego a um romance fajuto, uma pena saber que tudo na vida tem um fim, por mais que o sentimento deva ser eterno as pessoas enfim, tem de ir pro seu lugar.

(Ao som de: Palpite - Adriana Calcanhotto)

quarta-feira, 24 de março de 2010

...

"Mais uma vez
vejo o mar
voltar
como imagem
Passagem
de átomo a paisagem".

E aí um meio, um esqueleto, uma esfera e uma peça.. E se quebra, refazer? Ai, ai, ai... Nem espaço tem, pra essa onda de ninguém, pra esse emaranhado de amor. Tão perdido... É só suor, é uma esfera sem dó de quem passou pra viver.

Só por falta.

segunda-feira, 22 de março de 2010

FEZ FRIO;

Me faltaram tantas coisas... E de certas coisas tive medo, tive medo dessas coisas que me partiam e me abriam e me destruiam e me olhavam e iam embora... Tive medo do dia, que vinha tão cheio de gente, tinha medo do calor que me atacava e me tirava a única coisa que me fazia confiante, e eu me desdobrava, me enganava, chorava como um alguém sem colo e me desesperava e me iludia, e me cansava... E ficava ali, perdido, no meio da janela, com um cigarro aceso - o mesmo de sempre - e tinha medo da novidade, medo!
Oh! Que coisa mais medonha, em outro tempo qualquer me diriam que não era e que se fosse, desvirasse, que se não fosse, ficasse da forma que estava... E eu aludido em meio a coisas de quem diz que pretende, não pretendia nada... E te fitava em meio a praça e você nem ligava, porque zé ninguém nem importância tem. E tudo bem, te olhar, te imaginar e acordar depois... Tudo bem. E foi passando, foi morrendo e foi...

Fez frio...
Frio fez...
Passou também.

E era noite, depois dia, sem medo algum se anda, se vai, se acredita... Ora essa, é só mais uma ilusão e quantas mais não te faltam? Não me faltam... Não me enganam?

Faz frio...

segunda-feira, 15 de março de 2010

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"É que como humanos, estamos aptos a nos deixar esvair pelos nossos sentimentos sem importância, e fazer dele um borburinho. Tornamos o pequeno grande e o grande pequeno, é essa troca que vai movendo as pessoas. A se diluirem ao minimo, ou se tornarem o maximo. "

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cabala.

Fazemos faces, bicos, comerciais... Encurtamos o corpo pra vestir as roupas certas, fumamos um cigarro pra parecermos modernos, fazemos menos amigos pra ser meio antenados e ter nossos próprios mundos. Matamos os nossos pais em pensamento pra causar a liberdade, nos revoltamos com a vizinha que não nos deixa ouvir o nosso som em paz, nos suicidamos pra sermos comoventes. Fazemos até cena de TV e vamos investir no Twitter pra sermos popular, vamos encaixar a divindade no nosso nome e vamos até mesmo destruir a nossa moradia e beleza só pra ser um pouco agressivo. Matamos milhares de pessoas todos os dias, o amor a cada segundo, desistimos de nós mesmos a cada instante, lutamos pela igualdade e se vê descaso. Achamos o que é perdido certo e o certo como perdido. A lei perdeu a validade, a arrogância tornou-se convincente. As pessoas não são mais quem são, se cobrem com a faca, a vela, a tendência e a costura do seu corpo fica a mostra. Perderam-se os valores.


Moralmente falando, recobro toda a vida taxada. O mundo não é mais uma coberta, tornou-se essa sapiência encubada, raros são esses que se abalam com os seus próprios sentimentos e que vão à luta pelas suas próprias ânsias. O segredo de existir não é deixar e viver. O segredo é insistir em si mesmo, enquanto a revolta faz-se o caso, a humildade e vontade ficam a milhas de distâncias do peito...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Soslaio.

Olha aqui:

A gente passa metade da vida da gente construindo e derrubando muros.
Espera pelo príncipe no cavalo branco, pela Cinderela na carruagem... Espera até mesmo o sono profundo. A gente move cada esperança boba. Cada sonhos e suspiros que o nosso coração alimenta. A gente faz curvas na própria casa, a gente nada fora d’água. A gente tem fé em alguma coisa. A gente até ama mais do que deve, bebe mais do que deve, chora e espanta. Chora de emoção, de alegria, chora pelos objetivos alcançados.

A gente chora pelo abraço perdido, pela montanha derrubada. Pelo corpo que se foi, pela lágrima que escorre, chora pela gente, chora por gente... Sem querer, sabemos dos nossos sentimentos. E mesmo lutando com os muros, quebrando os dos outros, levantando os nossos, a gente continua parado. Falavam-me sempre de um tripé, de uma instabilidade, de um romance... Cheguei à conclusão que eu preciso de quatro pernas pra viver, que eu preciso de alguém que ande do meu lado. Não de alguém que me deixa estático, isso não é vida, não tem emoções além das próprias e o tempo mesmo vai se perdendo. A gente sonha sabe? Sonha com um dia em que estaremos do lado de alguém que amamos, abraçaremos forte e baixo, calaremos todo o mundo e choraremos de alegria.

A vida não tem vários muros. A vida é uma estrada que não tem rumo enquanto não tivermos escolhas. Pegue o seu cimento e tinta, vai colorindo a sua estrada, o seu caminho... Vai pintando a sua vida e não se assuste com os buracos que arrombarão essa sua obra, reconstrua, não espere. Apenas faça, faça o caminho que você quer seguir.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Chiaroscuro.

Deteste-me
Abraça-me
Cale-me
Engula-me
Deseje-me
Segura-me

Não me sinta
Não me queira
Não me espere
Não me perca
Não me deixa
Não me ame

Forte
Leve
Fraco
Instinto

Feminina como bruma
Masculino como pedra
Devora-te ser que és
Compreenda que assim seja
Avalia-te como foi
Esqueça quem és

Apague-se
Desnuda-se
Cubra-se
Esqueça-me
Passado te devora
Instintos mudos se aproximam
Cavalo de tróia em queda
Tereza há vista
Romeu e Julieta morrendo
Vistas

Dores em espinhos
Espinho sem dores
Amores sem perdidos
Perdidos com amores
Avalia-me
Só não me perca
Mas, também não sinta
Esguia
Respira
Boca fechada.

O silêncio destes escombros,
A qual por fim, não perdoou.
Esconda.

Tenebra.

Demorei anos tentando compreender de onde a nevoa que morava em mim veio. Não era nenhum sentimento estragado, nenhuma febre ou doença, nem eram saudades, nem era distância, disso me punha a ter certeza. Era uma nuvem tênue que me cobria, era... E eu era alguma coisa que se condizia a palavras que me prepuseram meses atrás, esgueirava-me na dúvida que de longe parecia sólida, não cutucava calos, deixava que murchassem e assim sobressaía-me de feridas que de longe pareciam ir sarando aos poucos, marca nenhuma me tocava. Assim como eu mesmo não me punha a tocar ferida alguma. Aceitei enfim, que os ventos levassem tudo embora, alguma coisa que em mim – e pode-se chamar de amadurecimento, até mesmo rabugice – com o passar do tempo foi tirando esses meus impulsos amorosos. Afastava-me das coisas e pessoas que, vagarosamente, me acolhiam. Lembrava-me docemente de passados amortecidos que fui perdendo. Alguma coisa falha em mim me fazia lembrar de algumas dores que no meu álbum velho de fotografias não existia, jogava-me nas lembranças, afogava-me... Chorava tantas dores e medos, timbro... Compreendia que era isso que me tornava aos poucos, timbro, e se queria essa capitania elitista, individualista, contra me punha há alguma fé que desconhecia, contra me punha a valores que há mim eram desconhecidos. Mais me parecia um sapato velho, prestes a ir ao lixo. A sola esgotada, o seu brilho apagado, pueril sapato. Jogado. Prestes fielmente ao encontro com o seu próprio dono: O tempo... Acabar-se-ia de vez nos seus 60 anos, quem sabe mais. Duraria algum tempo, esgotar-se-ia de dores. E enfim, ainda não cobraria nada, morto-vivo. (Sou humano por essa dádiva, pelos meus lamentos, pelos questionamentos que ainda me ponho a fazer quando acordo, sabe? Sou humano por ter decisões. Sou humano por ter fé no mundo e na gente, cara...)


Mas eu não quero ter essa sorte balanceada, nem viver como um morto-vivo. Entrego minha sorte ao tempo, vou deixando que enfim se jogue pro lado algumas coisas que eu mesmo não entendo. Vou vivendo cara, porque eu sei que mais tarde se morre, vai saber até mais cedo, não faço previsões do tempo... Mas, eu vou, vou pra algum lugar onde nem eu ou você se bata, vou pro meu canto e deixo que a vida passe, vai vivendo cara, como eu sei que é viver...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Regalia do sexo

Intimismo ou regalia do sexo? Acho que muitas coisas se perdem ao longo da vida. Perde-se a boca nunca tocada, perde-se a escrupência sexual, perde-se o desejo... Perdem-se também os dentes, as volúpias, os medos. Então se acrescentam os surtos, os meios, as condições, as experiências e se perde. Ao longo da vida tentar se definir ou limitar é inútil, tentar deixar de lado é bobagem, cresce-se com as tentativas e as oportunidades... Um meio homem é inteiramente generoso com o mundo, embora um homem inteiro seja completamente oposto à humildade. Tiram lucros àqueles que riem de suas próprias quedas, salientam-se aqueles que buscam os meios, as virtudes e perdas e completam-se aqueles que empreendedoramente constroem uma vida a dois; dá pra ser muita coisa durante a vida, dá pra ser qualquer e ser também igual, dá pra ser perdedor e vencedor, depende do modo como à gente encara as coisas ou do modo que nos vêem. Enxergar as nossas próprias verdades é um meio de ir em frente, arriscar-se doando ao máximo do que se pode dar, temer de osso a osso porque simplesmente é ser humano, aprontar sem perguntar a quem, deixar sem saber porque...


Na vida existem muitos pontos contínuos e até que a mesma venha a falir – pois a vida é um negócio mal construído – não dá pra reter e repelir um ponto final e querer estar, querer ser o que se pensa ser a vida toda, por mais que os buracos estejam todos embaixo ou até mesmo que não haja nenhum, há sempre um meio de abrir novas dores e caminhos para a queda, a sempre como os lucros sumirem e recriar-se é sempre um pedacinho de cada coisa, de um outro, de coisas que ao longo da vida deixamos que nos evadam, mesmo que sem perceber... Digo que a vida é sempre uma caixa de presentes que ao longo dos anos vem um em cada data comemorativa, digo que a vida também pode ser oposta a isso, digo logo que a vida é uma confusão, um medo de perder o outro e por vez de se ganhar e infelizmente acabar sem ter a quem oportunamente dar mais... Não dá pra simplesmente ser, mas creio que dá pra ser sempre um pouco mais, ou até mesmo posso dizer que não dá.

domingo, 20 de dezembro de 2009

“Política do mundo feliz.”

“Estão customizando tanto o amor que nem vale a pena acreditar no mesmo.”


Vulgaridade enorme nessas palavras.
Amor meia-boca esses que ficam na suspeita, na estreita, na calada. (Silencia)

Dia desses num telefonema de hábito com meu amor dormente – Porque é assim que eu considero início de relacionamento, morno, dormente, franzino, que acaba logo... Nem julgo amor, nem necessidade... Não digo e muito menos espero que funcione – caí em brasa ao ouvir um “eu te amo”. Deu-me uma raiva passiva ali, raiva porque é incrível como as pessoas se deixam levar pelo costumeiro dito: Eu te amo. Acho graça. Amor virou balela, frase feita e pronta pra quem te fez dar um sorriso ou dois. Coisa mais tosca. Amor não se encontra na esquina, nem em dois segundos. Parece que tudo virou filme, tudo é lindo. Não vou seguir a risca esses meros sentimentais. Decadência. Acho que é “tanto amor” que virou rotina. As pessoas precisam dizer pra ouvir, porque é de praxe mesmo.

Muitas vezes eu quis dizer que amo, sem amar. Refreei-me por pensar que amor é coisa magnânima, que melhor alguém se doer de osso a osso do que se deixar levar por insinceridade. Melhor pensar três ou quatro, até mesmo milhares de vezes antes do que dizer só por dizer aquilo que alguém disse que quer ouvir. Não vamos banalizar o que é efêmero. Não vamos destruir o que desconhecemos, ainda. Vamos deixar que o tempo nos transmita, deixar que a incerteza nos tome e se torne certeza, tornar as coisas cabíveis, aceitáveis antes de torná-las imundas. Amar é correr risco e silenciar faz parte... Mas, por favor, diga que me ama agora?
...

Acho que você não aprendeu.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Rabiscos.

Seria tua a minha primeira lamentação, a minha pressa, essa urgência que reparo e faço... Caneta e lápis na mão, papel, borracha. Se a vida pudesse ter esse brio de apagar as lembranças queria eu consolidar o amanhã, pegar as nuvens uma a uma e dar por começo a você. Tiraria o brilho das estrelas e em sussurros sopraria cada um a teu ouvido, te diria coisas e mais coisas que te mexeriam, calaria toda a minha voz e te cobraria um silêncio que viria distante, sofreríamos juntos a toda partida, por nós. E então remoeríamos os discos, os dias, as vinhetas, as cantadas, os outros. Separaríamos cada parte da novela, rabiscaríamos em negrito cada dorzinha, choraríamos uma dor nova, eu guardaria um dia e você ficaria sorrindo por saber que amanhã a gente inventa algo e volta, separaríamos um cordeiro e mandaríamos a sacrifício só pra ter certeza que a religião está ao nosso lado, mas eu lembraria que seria dia e esse dia não viria porque não é nosso, lembraria que dia sete de dezembro é um dia amargo que o que mal começamos já havia terminado, recordaria dez dias de abandono e felicidade... BORRACHA! Ai recomeça, repintamos esse sete, os dez dias, as lembranças, faríamos tudo diferente, ao menos aqui é uma certeza de que é o único lugar que eu sei que posso te guardar pra sempre. Não numa parede não pintada, não num dia sete que passou, não numa recordação barata, mas num livro da internet onde qualquer coisa que eu pense em fazer na hora marcada dá errado, te cobro um dia, mais outro, te cobro uma pressa, a mesma urgência... E não entendo nada, rabisco uma ou duas, apago. Só pra ter certeza de que não esqueço de lembrar... E ai me vem distante, a lembrança de que eu sei que esse amor que eu sinto não pode se apagar.


(A um amor passageiro...)

domingo, 13 de dezembro de 2009

"Corrimãos..."

Sabe de uma coisa, vou dizer que a minha verdade é feminina. Que o meu espírito se torna e entorna toda vez que alguém vai embora, que eu sofro calada, que eu grito e choro mais uma, duas, três e quantas forem precisas... Que eu sou pequena perante a grandeza do mundo, que eu sou selvagem quanto as minhas verdades, que eu corro sem direção nem tempo algum, que eu vivo e morro a todo instante. Vou dizer também que tenho um pouco dessa masculinidade transviada, que calo os anseios e vou embora, que deito e penso sem pensar em nada, que vou aos bares e bebo como um homem vivo e chego a casa e choro como uma criança sozinha... Vou dizer também que não sei nada, que sou de silêncios, que a intensidade não é minha, que a vida não é minha, que sou outro, outro que não sente, que não sentiu, que não sentirá, que nem se quer viveu...


E então serei tudo e todos até que eu possa dizer que me encontrei em mim, ou quem sabe não serei nada, só sentirei algumas vezes mais como homem ou mulher, sofrendo por tentar mais uma vez.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Escape.

“E quanto mais te tenho preso em minhas mãos, maior os espaços entre os dedos pro teu escape.”

Diria talvez que os refreamentos que tenho feito durante este tempo de solidão não me serve de nada quando um sentimento novo surge. Eu preciso de amor, preciso estar constantemente me doendo e sofrendo, me redescobrindo na relação a dois, refazendo os passos da felicidade e sentindo a faca do abandono atravessar meu corpo. Fazer meu punho se contorcer e remoer todo o passado, concluir e jogar fora em uma parte onde doerá quando eu vir, sangrará quando eu sentir, chorará quando eu não suportar.

Então abrirei o meu corpo novamente, sairei despido hoje. Inteiramente nu para que vejam e adentrem a minha covardia, os meus anseios e a minha sede, sede essa que escapa a todo instante... E solverei, dissiparei, cairei. Erguerei-me também, para que enfim possa mostrar que fui grande, soube sim cair, assim como tive a glória de levantar e criar a dor, sofrer a dor e morrer de amor, mesmo que uma vez mais... Mesmo que esse amor seja sozinho.



(Créditos pelo título à Andréa Laryssa Almeida Reis)




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

... Lá vem o amor nos dilacerar de novo.

“Esquerda, Direita, Esquerda, Direita. 1 2... Lá vai e vai longe.”


Abre esse teu coração, abre, mas abre com força e sem medo.
Abre agora que essa sede que nos mede e nos entra corpo a fora é só instante, como a nossa inconstância deseja, eu te desejo... E não, não diga que não, porque a necessidade que vem de ti é maior que a minha e do que as nossas juntas. Diz-me como sempre diz, soa como sempre soa, fala que esse teu amor vale por nós dois, que a minha vontade pode passar e você ficará como um quadro onde eu olho a beleza e passo, longe, volto quando precisar e vou embora, dias e dias sem você... E se me perguntar, nem hei de sentir falta. Meu coração é gelado como pedra... Oras! E tu bem sabes, sou por inteiro e você mulher de meios, eu homem de termos, você de palavras e eu de silêncios.

Algumas vezes eu te cortei tão a fundo, lá dentro, onde o meu coração mudo ficava por uma simples esperança de nada, pra quê? De quê? Explica! Agora sou eu ou você que não fala? Foi embora, saiu porta a fora, perdeu o instante, doeu, passou, voltou, ficou e eu te deixei... Simples não? Mas, sabe, eu ainda te amo, mesmo com a dor que mata e me tira o fôlego aos poucos, eu ainda te sinto, eu ainda te vejo em mim... Como um só...

“Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva...(Caio F. Abreu)”

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mulher-Maravilha.

Ela é a mulher-maravilha, trabalha, cuida da criança, arranja o jantar e ainda diz: “Como eu senti saudades o dia todo...” Eu não sei porque cacete eu deixei de gostar dessa mulher, dos chocolatinhos, os vinhozinhos, o fofinho e tudo mais... Vai ver é porque a gente gosta do que é complicado né? Vai ver também é porque eu deixo tudo ir escapando por não estar preparado pra essa emoção que há muito é abundante e relativa.

“Não meu amor, fecha bem devagarzinho a portinha do escuro. Ela não nos pertence mais.”

Sabe, eu sei que esses dias turvos que nos acalantavam me silenciou, não por destreza ou por infidelidade confidencial, mas porque todo mundo deixa, se despede e vai embora, mesmo que não seja inteiro, mesmo que ainda sim, não se pertença. Eu me pertenço agora, na verdade sempre me pertenci, porque eu conheço a dor como ela é, conheço cada pedacinho que faz com que eu me sinta vivo e até aqueles pedaços que me fazem cair morto, sem redes que me prendam. Você foi uma rede por muito tempo, não me deixou cair e também pudera, era uma rede forte e segura, até que eu lhe destroçasse ao meio, dizem por ai que quem ama segura e agüenta, mas quem é capaz de suportar tudo por amor? Eu não.

Eu dou as costas mesmo, vou embora de mansinho e nem digo tchau, porque se eu disser me sinto quebrado ao meio. E eu vou, mas vou inteiro. Talvez eu tenha aprendido a ter menos amor, só pra não deixar que esse amor, deixasse de ser amor.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Solar.

Sou o vai e vem do sol, não me recolho, não durmo por inteiro.
Um olho se fecha e outro se abre, assim sempre...

Não consigo confiar nem mesmo em mim, se minhas mãos me tocarem lá dentro eu saio todo queimado reclamando do que senti, dói ter sentimentos trancafiados e tão protegidos. O muro é tão alto que nem força maior poderia estar dentro. Tenho uma visão avantajada do mundo, vejo tudo. Mas, sou leigo das coisas humanas, leigo desses sentimentos que não me propiciaram por medo, ou por uma culpa que não me deixa chegar lá... É tão longe, bem longe... Mas, eu vou irradiando a vida de muitos, sem chegar perto, vou abrindo um sorriso tão grande com o olhar sincero e sempre atento aos que amo. Amo todos, como meus.

Uma vez ou outra, uma mulher branca vem a mim, me tampa todo, me cobre, me esfria... E eu fico assim, perdido e quando ela se vai eu já nem sei como continuar o mesmo. To pra explodir.

BOOM!

sábado, 28 de novembro de 2009

A Cicatriz.

Meu coração ta miudinho como uma uva, calado com uma serpente pronta pra soltar o veneno ao te morder. Eu quis você por tanto tempo tão longe, te desejei tantas desgraças acolhidas, tantos pedacinhos do meu veneno te empurrava, mas a vida ia seguindo, mesmo distante, ia porque ninguém escolhe hora pra parar ou cavalgar no mato seco, tem hora que o cavalo entra numa areia e só empurrando pra tirar...


Nosso amor era assim, um cavalo que quando caia sai com dificuldade, foi quebrando as pernas uma por uma, ficando sem vestígios guardados dentro de mim e sem a vontade de te ter de volta... Nem ódio, nem amor restaram, mesmo com essa linha fina que pairava sempre, tinha dias que eu nem sabia discernir se era amor ou ódio o que eu sentia e se sentia alguma coisa... Como esse amor que eu tinha se tornou tão intragável. As pontas do meu cigarro nem são acesas, joguei tudo fora e puxei a descarga, sem saber se era pra lá ou pra cá que você ia, também pudera eu querer te salvar e eu sou muito fraco pra entrar nessas coisas de sentimentos. Tenho um medo danado daquilo que vai ferindo tão devagar, mas tão devagar que passa a não doer. Era assim, não era? Como todo relacionamento, um idiota mais apaixonado, um sofredor mais preciso e um culpado que sempre se arrepende de tudo. Tanto tempo passa e ninguém esquece o que passou quando se tem amor dentro do peito, mesmo que se tenha mandado ir embora, mesmo que se diga que nem saudade anda sentido, fere sabe? De osso a osso, como se te quebrasse em meio a meio quando você pedisse... Porque é assim mesmo, a gente pede cada dor que tem. Somos nós os responsáveis do inicio, meio e fim da vida.

E eu não quero ser o responsável por deixar partir, não quero chorar a dor de outro alguém que a minha própria verdade desconhece, não quero suar com meu corpo frio e nem abusar da sua boa vontade, não quero te tragar novamente, mesmo que a minha necessidade por hora seja tamanha. E vou largando, vou partindo, vou deixando, olhando pra trás, porque eu tenho uma fortificação pra sair das coisas, embora quebrado, embora torto, mas pra tudo há uma despedida honesta, mesmo que sejam aquelas em que só as lágrimas falam... É preciso deixar morrer-se tudo. Até mesmo aquilo que jurávamos ser imortal.

Largar, partir, deixar? Pra quê? Eu ando tão de mão em mão pra sarar essa dor que causaram em mim e mesmo assim, não passa. Ás vezes eu tento não ser eu, porque se eu não for eu, os outros não sentirão essa dor. Mas, essa dor é tão grande que até mesmo todos os outros conseguem senti-la, e não te preocupa, essa dor é só minha. E meu grito é o mais alto de todos, mesmo em silêncio. E vai passando como quem não quer nada, porque é preciso deixar curar aquilo que a gente pede pra sentir, mesmo que a vontade seja apenas de não deixar ir embora...

Mas, não é com essa cara que estarei no final do dia, eu estarei integro novamente, com a mesma frieza que me impede de ter, com a mesma dor que me silencia a cada instante, mas vou, vou sendo, vou me tornando, vou vivendo, porque é árduo, mas desistir não é um prato que se coma quente e nem frio, desistir é uma conseqüência que vem obrigatoriamente com a morte. Estou vivo! Bem vivo. Só não me procure outro dia, porque algumas dores voltam como uma coisa que nunca sumiu... E você é boa em recomeço, já eu, dou despedidas retóricas na segunda vez. Desconfio da minha alma, imagine de quem perdeu o bem mais precioso que pude lhe dar um dia, minha confiança... Amor acaba assim, quando o ciúme é demais e a confiança não existe, ninguém suporta não ter e não dar...